Data centers no espaço podem combinar LEO e GEO, dizem Astranis e Eutelsat

Satélites de baixa órbita (LEO) e geoestacionários (GEO) podem desempenhar funções complementares em futuras arquiteturas de data centers no espaço, segundo executivos das operadoras Astranis e da Eutelsat. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira, 1º, durante o Congresso Latino-Americano de Satélites, no Rio de Janeiro.
Head de vendas para as Américas da Astranis, Omar Trujillo disse que essa evolução deve ocorrer de forma gradual, começando pelo processamento dos dados gerados por satélites de observação antes de sua transmissão à Terra.
Nesse cenário, Trujillo vê espaço para uma arquitetura multiórbita. Satélites LEO poderiam processar informações e utilizar equipamentos GEO para retransmitir os dados, reduzindo a necessidade de enviar todo o conteúdo bruto diretamente ao solo. "Agora, um data center em satélite GEO seria algo de mais longo prazo", ponderou.
Processamento embarcado
Diretor de vendas para conectividade da Eutelsat do Brasil, Eloi Stivalletti também avalia que a capacidade computacional embarcada tende a aumentar. "A indústria vai agregar funcionalidades de processamento e capacidades de armazenamento maiores no GEO", afirmou.
Ele avaliou que, em uma arquitetura multiórbita, os dados poderiam ser tratados no espaço e apenas as informações necessárias seriam posteriormente enviadas ao usuário. A companhia, inclusive, já prevê processamento a bordo na nova geração de satélites da OneWeb, com gerenciamento dinâmico de capacidade e cobertura.
"Não que isso vá, de maneira alguma, substituir os data centers terrestres", afirmou o executivo da Eutelsat. "Mas vão ser um complemento bastante importante", completou.
SpaceX
A discussão em torno da viabilidade técnica de um projeto como esse ganhou projeção após, em janeiro, a SpaceX (dona da Starlink) entrar com um pedido de autorização à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) para lançar e operar um novo sistema não geoestacionário de até 1 milhão de satélites voltados a data centers orbitais. No mês seguinte, a FCC aceitou analisar o pedido.
O projeto da empresa ligou um alerta no mercado. Amazon, por exemplo, acusou a empresa de Elon Musk de "reservar órbitas" com plano de 1 milhão de satélites. A empresa, inclusive, pediu ao órgão americano que rejeite a solicitação da SpaceX.


