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TeleSíntese18/10/2026por Paula Coutinho

Hispasat vê inviabilidade econômica em constelação LEO brasileira

Hispasat vê inviabilidade econômica em constelação LEO brasileira

Empresa combina frota própria com serviços de outros operadores e defende compartilhamento de satélites como alternativa para governos

Construir uma constelação própria de satélites de baixa órbita não é economicamente viável para o governo brasileiro, na avaliação de Sérgio Chaves, head de Vendas da Hispasat. Durante o 22º Wireless Mundi, realizado nesta quinta-feira, 15, em São Paulo, o executivo defendeu que o Brasil utilize parcerias internacionais e modelos de compartilhamento de infraestrutura espacial para atender às necessidades de conectividade e soberania digital, sem assumir integralmente os custos de implantação e operação de uma constelação.

Segundo Chaves, a indústria satelital está deixando de atuar exclusivamente na comercialização de capacidade de transmissão para oferecer soluções mais completas, conforme as necessidades dos clientes.

“A gente acredita que com parcerias e com acordos você consegue abranger muito mais o mercado e muito mais produto do que você sozinho em determinado nicho”, afirmou.

O executivo informou que a Hispasat possui mais de dez satélites geoestacionários e mantém acordos para comercializar serviços de outras empresas, incluindo soluções de baixa órbita.

Venda de capacidade dá lugar à oferta de soluções

Chaves explicou que o mercado satelital foi historicamente estruturado em torno da venda de capacidade, medida em megahertz.

Nesse modelo, o cliente contratava determinada quantidade de espectro, adquiria seus equipamentos e utilizava o satélite para oferecer serviços aos usuários finais.

O executivo citou a Autotrac como exemplo de empresa que mantém esse tipo de contratação.

Segundo ele, o modelo continua existindo, mas passou a conviver com ofertas que incluem diferentes componentes da solução de conectividade.

A mudança foi impulsionada pela entrada de novos operadores, pela expansão das constelações de baixa órbita e pela necessidade de atender clientes que não desejam contratar separadamente toda a infraestrutura.

A Hispasat passou a combinar recursos próprios com serviços fornecidos por parceiros, inclusive concorrentes em determinados segmentos.

Chaves citou a comercialização de serviços da constelação OneWeb como exemplo dessa estratégia.

A empresa busca, assim, oferecer diferentes soluções conforme a necessidade de cada cliente, utilizando satélites geoestacionários ou capacidade contratada de terceiros.

Hispasat não pretende atuar no mercado residencial

Apesar das mudanças no setor, Chaves afirmou que a Hispasat não pretende ingressar diretamente no mercado de consumidores residenciais.

“A Hispasat não vende B2C. Então esse mercado a gente não atua”, declarou.

O executivo explicou que a estratégia atual da empresa permanece concentrada no atendimento a clientes empresariais e na atuação por meio de parceiros.

Ele ressalvou que decisões futuras poderiam modificar esse posicionamento, mas não indicou planos para uma mudança.

A estratégia contrasta com a atuação de operadores satelitais que comercializam conectividade diretamente aos consumidores finais.

Chaves também abordou a possibilidade de acordos de exclusividade entre empresas satelitais e operadoras móveis para serviços Direct-to-Device (D2D).

Questionado sobre os riscos de concentração, reconheceu que ainda não é possível prever como esse mercado será organizado.

Segundo ele, os grandes operadores globais têm utilizado modelos de distribuição que permitem a participação de diferentes revendedores, embora essa estrutura possa mudar.

O executivo observou que a entrada de novas constelações deverá ampliar as alternativas disponíveis.

Condosat permite compartilhar satélites entre governos

Outro modelo apresentado por Chaves foi o Condosat, desenvolvido pela Hispasat para permitir que diferentes países ou organizações contratem capacidade específica em um mesmo satélite.

A proposta surgiu a partir do interesse de governos em dispor de infraestrutura espacial sem assumir integralmente os custos de construção e operação.

Segundo o executivo, países como Uruguai, Colômbia e Bolívia poderiam utilizar partes de um mesmo satélite para atender necessidades próprias.

O modelo permite contratar uma carga útil ou capacidade dedicada, mantendo o compartilhamento da plataforma espacial.

Chaves afirmou que a solução chegou a ser apresentada à Telebras, mas que o tamanho do mercado brasileiro e os requisitos de soberania levaram a discussões sobre outras alternativas.

O executivo mencionou a solicitação de informações relacionada ao projeto do próximo satélite da estatal, o SGDC-2.

Executivo questiona custo de constelação LEO brasileira

Na discussão sobre soberania, Chaves avaliou que a implantação de uma constelação nacional de baixa órbita, operada diretamente pelo governo brasileiro, enfrentaria dificuldades econômicas.

“Eu acho que não é viável economicamente para uma constelação de baixa órbita operada pelo governo brasileiro”, afirmou.

O representante da Hispasat destacou, entretanto, que essa avaliação não significa que o Brasil deva ficar excluído das tecnologias de baixa órbita.

Para ele, o país precisa avaliar formas de participar dessas redes, preservando os níveis de controle necessários para aplicações governamentais.

O executivo mencionou o projeto europeu IRIS² como exemplo de iniciativa baseada na cooperação entre operadores e na busca de infraestrutura espacial soberana.

Também apontou a possibilidade de acordos com empresas ou consórcios internacionais como alternativa à construção integral de uma constelação.

Brasil precisa desenvolver tecnologia espacial, diz Chaves

O executivo também chamou atenção para a produção brasileira de pequenos satélites e para as atividades desenvolvidas em São José dos Campos, no interior paulista.

Segundo Chaves, o país já possui iniciativas de fabricação de satélites e desenvolvimento de tecnologias nacionais que merecem maior atenção.

“Brasil está produzindo satélites, são pequenos, mas já se produz satélite”, afirmou.

O representante da Hispasat defendeu que o desenvolvimento tecnológico acompanhe os investimentos em infraestrutura espacial.

Ele também destacou que a indústria satelital vem incorporando tecnologias que anteriormente enfrentavam dúvidas sobre sua viabilidade comercial, como diferentes bandas de frequência e constelações de baixa órbita.

 

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