Visiona busca FNDCT para financiar primeira etapa da constelação Brassat

A Visiona (joint-venture brasileira entre a Embraer e a Telebras) pretende buscar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiar a primeira etapa da futura constelação de satélites Brassat. Trata-se de um projeto de infraestrutura espacial nacional voltado à observação da Terra e à comunicação de dados.
CEO da companhia, João Paulo Campos disse nesta quarta-feira, 30, que a estratégia prevê usar os recursos para o desenvolvimento tecnológico e o lançamento de uma constelação-piloto. O plano foi detalhado durante o Congresso Latino Americano de Satélites, no Rio de Janeiro.
Segundo Campos, o risco tecnológico ainda dificulta a atração de outros parceiros para o Brassat. "A primeira etapa do projeto teria que vir do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia", afirmou. Depois dessa fase, a intenção é recorrer também a fundos ambientais.
"Estamos falando de um projeto que pode gerar R$ 200 bilhões por ano de riqueza para o nosso País, considerando efeitos diretos e indiretos associados ao uso de tecnologias espaciais", afirmou.
Constelação Brassat
A Brassat é uma proposta de infraestrutura espacial de uso dual, civil e militar, baseada em pequenos satélites. Na configuração apresentada pela Visiona, o sistema teria 44 satélites distribuídos em três constelações:
- 24 para comunicações e coleta de dados, com aplicações de IoT;
- 16 para monitoramento sistemático, capazes de produzir uma cobertura completa do País a cada cinco dias com resolução de 2,5 metros;
- e quatro voltados ao monitoramento de áreas específicas em alta resolução.
O projeto já aparece em discussões do Comitê Gestor do CT-Espacial do FNDCT como uma proposta estratégica para ampliar capacidades nacionais em sensoriamento remoto e comunicações.
Potencial
"A Brassat precisa ser uma constelação de Estado", disse Campos. Segundo ele, a intenção é oferecer os dados a preços baixos ou, quando possível, gratuitamente.
Na fase operacional, a companhia estima que os recursos atualmente gastos pelo governo na contratação de serviços espaciais no exterior poderiam ajudar a financiar a operação e a reposição dos satélites.


