Google põe chips de IA em órbita em primeiro teste do projeto Suncatcher

O Google colocou em órbita na quinta-feira, 1º de outubro, o primeiro satélite experimental do Projeto Suncatcher. A iniciativa estuda a possibilidade de levar infraestrutura de computação para inteligência artificial (IA) ao espaço.
Desenvolvido em parceria com a startup de satélites Planet, o protótipo foi lançado a bordo da missão compartilhada Transporter-18, da SpaceX, a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia (Estados Unidos).
A missão fará o primeiro teste em órbita das Tensor Processing Units (TPUs), que são chips desenvolvidos pelo Google para processamento de cargas de inteligência artificial. Segundo a companhia, o contato com o satélite já foi estabelecido e o equipamento opera como esperado.
Nas próximas semanas, serão coletados dados sobre o comportamento dos chips diante das vibrações e acelerações do lançamento, além da radiação e das variações térmicas encontradas no espaço.
O Suncatcher é um projeto de pesquisa de longo prazo. O objetivo é avaliar se a órbita terrestre baixa pode, no futuro, abrigar infraestrutura escalável de aprendizado de máquina.
De acordo com o Google, uma das vantagens estudadas é o acesso quase constante à luz solar: satélites em órbita baixa poderiam gerar até oito vezes mais energia solar do que sistemas equivalentes na Terra.
A proposta, em uma etapa posterior, é operar grupos de satélites com dezenas de TPUs cada, interligados por comunicação óptica para processar cargas maiores de IA.
Data centers no espaço
"Este primeiro lançamento tem como objetivo verificar o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar essas descobertas em missões futuras", informou o Google em comunicado.
A próxima etapa está prevista para 2027, quando a companhia pretende colocar dois satélites em órbita para testar a comunicação por laser em alta capacidade entre as espaçonaves.
Segundo a Planet, a missão lançada nesta semana representa a primeira demonstração do Suncatcher e o primeiro teste das TPUs do Google no espaço.
Antes do lançamento, o Google submeteu os chips a testes de vibração, radiação e vácuo térmico. Segundo a empresa, TPUs da geração Trillium resistiram, em testes realizados no Crocker Nuclear Laboratory, da Universidade da Califórnia em Davis, a uma dose total de radiação ionizante superior à esperada em uma missão espacial de cinco anos.
Outro desafio é a dissipação do calor produzido pelos processadores no vácuo, onde não há circulação de ar; para isso, o projeto testa soluções com tubos de calor e radiadores.
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