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TELETIME News03/10/2026por Henrique Julião

Transpetro estuda ampliar uso de satélites LEO; geopolítica é desafio

Congresso Latinoamericano de Satélites Transpetro estuda ampliar uso de satélites LEO; geopolítica é desafio 02/10/26, 16:39   Atualizado em 02/10/26, 16:39
Foto: Divulgação/Transpetro

A Transpetro, provedora de soluções logísticas para o setor de óleo e gás, está avaliando a ampliação do uso de satélites de baixa órbita (LEO) em sua frota de embarcações. Contudo, a empresa aponta que questões geopolíticas ainda comprometem a cobertura do serviço em águas internacionais.

O cenário foi abordado por William Silva, da gerência de soluções de TI da Transpetro, durante o Congresso Latinoamericano de Satélites, evento promovido pela Glasberg Comunicações e TELETIME no Rio de Janeiro nesta semana.

Na ocasião, o profissional relatou que a Transpetro já é usuária da conectividade de baixa órbita: hoje, a empresa conta com 26 embarcações que agregam conectividade de constelações LEO com serviços de satélites geoestacionários (GEO) tradicionais, usados para garantir redundância na cobertura.

Os cálculos da operadora logística também apontam benefício econômico de cerca de 50% caso a redundância fosse prestada também por fornecedores LEO, em vez do GEO (veja detalhes no fim do texto). A questão, porém, não é tão simples por restrições geopolíticas enfrentadas por players do segmento.

"Nossos navios percorrem o mundo todo e existem problemas de bloqueio do LEO. Essas áreas ainda exigem o GEO", explicou William. A situação afeta a Starlink, líder do mercado LEO global, e também a OneWeb, principal concorrente operacional no segmento.

"Ao manter um navio em águas internacionais só com LEO, a gente correria risco de ficar sem sinal e isso não pode acontecer", arrematou o especialista. Um mapa apresentado pela Transpetro indicou não apenas China, Rússia e Irã como mercados onde existem restrições, mas também regiões costeiras de países como África do Sul, Arábia Saudita e Índia.

Controlada pela SpaceX, de Elon Musk, a norte-americana Starlink é personagem constante em episódios geopolíticos e mesmo conflitos militares nos últimos anos. Já a OneWeb (subsidiária do grupo francês Eutelsat) tem defendido uma abordagem geopoliticamente neutra para enfrentar a rival no mercado corporativo.

Diferenças

No modelo LEO+GEO usado pela Transpetro nos navios, a maior parte do tráfego é suportada pela baixa órbita, enquanto a tecnologia geoestacionária tradicional atua como redundância. Enquanto a disponibilidade de serviços prestados por satélites GEO é mais alta, o volume de dados do LEO tem custo menor e velocidade maior.

Hoje, os serviços LEO usados pela operadora logística entregam velocidades de cerca de 150 Mbps, contra 4 Mbps do GEO. Uma solução que agrega ambas custa à Transpetro "dez dinheiros por GB [gigabyte]", situou William Silva.

Caso a redundância fosse atendida com outra fornecedora LEO (também com 150 Mbps), a solução sairia por 5,15 "dinheiros" por GB, ou 52% do valor anterior.

Situação similar envolve o licenciamento de antenas: no LEO+GEO, o licenciamento completo custaria cerca de US$ 57 mil, contra US$ 20 mil (35% do valor) no modelo LEO+LEO.

Média órbita

Uma possibilidade estudada pela Transpetro para contornar a questão geopolítica é uma saída intermediária: o uso de soluções via satélites baseadas em média órbita (MEO) como redundância.

William Silva vê avanços no segmento, como disponibilidade de terminais menores para navios equipados com recursos phased array. Isso torna "promissoras" combinações de conectividade LEO com a MEO.

Hoje, a conectividade em embarcações é usada não apenas em atividades operacionais da operadora logística de óleo e gás (subsidiária da Petrobras). Os serviços suportam cada vez mais atividades como Wi-Fi, infoentretenimento, videoconferências e telemedicina para tripulações em navios da Transpetro.

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